(sugestão de tema de Elisabeth Pinto)
O século XIX foi de inegável fecundidade. Todas as manifestações artísticas, guardando cada uma sua marca específica, operaram harmonicamente a genialidade de um transbordamento de luz e movimento.
A impressão dos matizes, a incidência da luminosidade sobre as coisas aproximaram , em particular, literatura e pintura.
Nas próximas cena, examinaremos a flagrante utilização de certas cores nos textos literários decadentes e no movimento impressionista na pintura. Começaremos com o amarelo. Até lá.
domingo, 13 de janeiro de 2013
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
O que pode um corpo II
"Nada pode curar a alma, exceto os sentidos." Oscar Wilde
Como uma máquina perfeita, com cada peça e dispositivo desempenhando papéis específicos, nosso corpo, singular em sua pluralidade, pecisa de exercícios para manter-se em equilíbrio.Frequentemente, priorizamos um ou dois entidos em detrimento dos outros.O sentido da visão, por exemplo, em nosso século XXI é especialmente marcante.
O convite de Wilde é o de, diariamente, forçarmos o uso de cada um dos cinco sentidos em harmonia. Fechar os olhos e tentar didentificar os diversos sons ao nosso redor, ou ainda com os olhos abertos e fixos num ponto, sentir os odores do espaço em que nos encontramos. Desenhar um ambiente com os olhos e as mãos da imaginação; escutar a leitura de um texto ( um audiolivro).
O equilíbrio do corpo passa pelo equilíbrio dos sentidos. Isto também é fazer arte.
Como uma máquina perfeita, com cada peça e dispositivo desempenhando papéis específicos, nosso corpo, singular em sua pluralidade, pecisa de exercícios para manter-se em equilíbrio.Frequentemente, priorizamos um ou dois entidos em detrimento dos outros.O sentido da visão, por exemplo, em nosso século XXI é especialmente marcante.
O convite de Wilde é o de, diariamente, forçarmos o uso de cada um dos cinco sentidos em harmonia. Fechar os olhos e tentar didentificar os diversos sons ao nosso redor, ou ainda com os olhos abertos e fixos num ponto, sentir os odores do espaço em que nos encontramos. Desenhar um ambiente com os olhos e as mãos da imaginação; escutar a leitura de um texto ( um audiolivro).
O equilíbrio do corpo passa pelo equilíbrio dos sentidos. Isto também é fazer arte.
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
Azul
Na coletânea de textos Azul, o poeta nicaraguense Rubén Darío transita pelo sentimento de melancolia que a bela cor evoca.
Em El fardo, Darío mergulha "allá lejos, en la línea, como trazada por un lápiz azul, que separara las aguas y los cielos" na árdua vida do pescador tío Lucas. Enquanto "todos los lancheros se habían ido ya", o trabalhador permanecia tentando dias melhores. A dor da perda de um filho - "en el oficio, por darnos de comer a todos: a mi mujer,a los chiquitos y a mí que entonces me hallabe enfermo"- é contada com os toques dapena deste decadentista admirador e amigo de Oscar Wilde. As poucas linhas do conto são suficientes para que o leitor se enamore deste personagem lutador.
Tío Lucas iniciara o jovem filho no ofício por necessidade,"se quiso onerlo a la escuela desde grandecito", mas a numerosa família exigia jornada maior e dobrada. Em "un bello dia de luz clara, de sol de oro", estandotío Lucas adoentado, o filho foi sozinho e após um acidente "el espinazo desencajado y echando sangue negro por la boca", deixou esta vida. O poeta despede-se do pai sofredor, toma o caminho de casa a passos rápdosaceitando "una brisa glacial que venía de mar afuera, que pellizcaba tenazmente las narinas y las orejas", compartilhando da dor da perda daquele homem também artista da vida, que driblando as tribulações, insiste na esperança.
Em El fardo, Darío mergulha "allá lejos, en la línea, como trazada por un lápiz azul, que separara las aguas y los cielos" na árdua vida do pescador tío Lucas. Enquanto "todos los lancheros se habían ido ya", o trabalhador permanecia tentando dias melhores. A dor da perda de um filho - "en el oficio, por darnos de comer a todos: a mi mujer,a los chiquitos y a mí que entonces me hallabe enfermo"- é contada com os toques dapena deste decadentista admirador e amigo de Oscar Wilde. As poucas linhas do conto são suficientes para que o leitor se enamore deste personagem lutador.
Tío Lucas iniciara o jovem filho no ofício por necessidade,"se quiso onerlo a la escuela desde grandecito", mas a numerosa família exigia jornada maior e dobrada. Em "un bello dia de luz clara, de sol de oro", estandotío Lucas adoentado, o filho foi sozinho e após um acidente "el espinazo desencajado y echando sangue negro por la boca", deixou esta vida. O poeta despede-se do pai sofredor, toma o caminho de casa a passos rápdosaceitando "una brisa glacial que venía de mar afuera, que pellizcaba tenazmente las narinas y las orejas", compartilhando da dor da perda daquele homem também artista da vida, que driblando as tribulações, insiste na esperança.
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
O que pode um corpo?
Nosso corpo é limitado, sujeito à ação do tempo e do espaço. Quando, porém, alçamo-
nos interiormente, crescendo por dentro, como diria ernando Pessoa, experimentamos o inusitado.
Este corpo singular saboreia toda a sua pluralidade e alcança movimentos e contornos só possíveis na
imaginação. Este corpo agiganta-se ao abraçar a existência em sua capacidade total.Dizendo sim, este
corpo se encontra.
nos interiormente, crescendo por dentro, como diria ernando Pessoa, experimentamos o inusitado.
Este corpo singular saboreia toda a sua pluralidade e alcança movimentos e contornos só possíveis na
imaginação. Este corpo agiganta-se ao abraçar a existência em sua capacidade total.Dizendo sim, este
corpo se encontra.
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
Diário IV- Desapego
Desapegar-se. Tarefa muitas vezes árdua. O desapego é exercício de vida. Despargar-se para ganhar; desapegar-se pra vencer uma dificuldade; desapegar-se para garantir novos e melhores hábitos. A rotina atrai porque não gera surpresas (que podem ser indesejadas ou desagradáveis). A mesmice do cotidiano pode ser monótina,mas se não nos obriga a tomada de atitudes, pode conquistar-nos totalmente. Uma reviravolta pode surtir efeitos mágicos principalmente interiores. Ousar ser diferente,pensar diferente, dizer diferente. Isto também é arte.
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
Diário III
Corro os olhos pelas páginas do livro favorito e viajo para Londres (lembro-me de Huysmanns tomando café aguardando o trem para Paris e fazendo todo o percurso ali mesmo).
Entro na sombria Bond Street e penso nas carruagens a toda velocidade levando comerciantes ao trabalho, cavalheiros para encontros amorosos ou duelos vingativos e inspiro o ar de pó e nostalgia. Desço vagarosamente e chego no Hyde Park. A tarde cai e não posso me furtar do divertimento de me ver junto ao monstro (isto divertiria Stevenson). Indagaria acerca do que o moveria hoje. Acho que Dr Jekyll seria o escolhido. A impaciência e a cólera deste século deveria desejar a calma do médico.
Devaneios.
Até a próxima parada!
Entro na sombria Bond Street e penso nas carruagens a toda velocidade levando comerciantes ao trabalho, cavalheiros para encontros amorosos ou duelos vingativos e inspiro o ar de pó e nostalgia. Desço vagarosamente e chego no Hyde Park. A tarde cai e não posso me furtar do divertimento de me ver junto ao monstro (isto divertiria Stevenson). Indagaria acerca do que o moveria hoje. Acho que Dr Jekyll seria o escolhido. A impaciência e a cólera deste século deveria desejar a calma do médico.
Devaneios.
Até a próxima parada!
domingo, 9 de dezembro de 2012
Omnia vincit amor- Virgílio (70-19 a. C.)
*O amor vence tudo.
Verdadeira e acalentadora sentença de Virgílio. Tudo a que nos propusermos, se feito com cuidado, trará benefícios, especialmente interiores.
Fazer o trabalho com o amor de quem sabe ser este seu dever primeiro. Dificuldades, incompreensões, nada pode apagar ou abafar a alegria e a tranquilidade que vem da obra realizada. Aí reside o segredo da arte de viver. Isto exige criatividade e flexibilidade.
Verdadeira e acalentadora sentença de Virgílio. Tudo a que nos propusermos, se feito com cuidado, trará benefícios, especialmente interiores.
Fazer o trabalho com o amor de quem sabe ser este seu dever primeiro. Dificuldades, incompreensões, nada pode apagar ou abafar a alegria e a tranquilidade que vem da obra realizada. Aí reside o segredo da arte de viver. Isto exige criatividade e flexibilidade.
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