"Dois homens olharam através das grades da prisão: um viu a lama, o outro as estrelas."
segunda-feira, 28 de outubro de 2013
um santo pensador
Santo Agostinho foi um incansável estudioso da alma humana e a leitura de suas Confissões permite que conheçamos também mais um pouco de nós e da razão de termos vindo à vida.
domingo, 27 de outubro de 2013
Uma tarde com Walt Whitman
"Aprendi que é suficiente estar com aqueles de quem gosto."
"Eu sou contraditório, eu sou imenso. Há multidões dentro de mim."
Visitar os textos clássicos é exercício de conhecimento de si e do mundo.
"Eu sou contraditório, eu sou imenso. Há multidões dentro de mim."
Visitar os textos clássicos é exercício de conhecimento de si e do mundo.
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
16 de outubro de 1854
Há exatos 159 anos nascia Oscar Wilde na Irlanda e a cena literária ganharia um de seus mais devotados discípulos. Ele viveria da arte, pela arte e se eternizaria como texto.
Minha história com Wilde data de poucos trinta anos, quando ainda adolescente li pela primeira vez seus contos infantis. O rouxinol e a rosa - até hoje o meu favorito - arrancaria dolorosas lágrimas e aguçaria a curiosidade pelo autor que ousara imaginar algo tão singelo e profundo. Pois bem, a partir daí, nunca mais nos deixamos - Wilde e eu. Li e reli toda a sua obra e a cada vez me surpreendo com um detalhe que passara sem que eu percebesse, como que para obrigar-me a voltar.
Era um trocista e ainda troça comigo. Aceito, com deleite infantil, o jogo e ele me devolve o encantamento, acompanhando meus momentos alegres, tristes, tensos e relaxantes. A escrita wildiana para mim é isto- minha companhia querida.
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
Ao mestre, com carinho
Era pequena de estatura, mas sua voz soava forte, clara, precisa, sem deixar de revelar sua delicadeza. Inês. Ensinava literatura brasileira e fazia-nos sonhar que éramos heróis e heroínas prontos para conquistar o mundo. Da mesma forma que os inúmeros personagens que nos dava a conhecer. O tempo não passava com Inês e o sinal para troca de professores era sempre recebido com estridentes vaias - o que nos custava por vezes o recreio! E lá se ia Inês, deixando um rastro de alegria.
Pergunto-me hoje se ela teria ideia de tudo que fez por nós. Talvez não. Aquele que semeia o bem parece não enxergar por vezes o alcance de suas ações. Cabe a quem pelos frutos reconhece o valor de um bom professor fazê-lo.
Homenageio hoje cada adorável Inês que fez minha vida mais bela e me encantou com sua persistência e doçura.
Pergunto-me hoje se ela teria ideia de tudo que fez por nós. Talvez não. Aquele que semeia o bem parece não enxergar por vezes o alcance de suas ações. Cabe a quem pelos frutos reconhece o valor de um bom professor fazê-lo.
Homenageio hoje cada adorável Inês que fez minha vida mais bela e me encantou com sua persistência e doçura.
domingo, 29 de setembro de 2013
de W. H. Auden, para alguém querido e perdido
"Stop all the clocks, cut off the telephone.
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum...
Bring out the coffin, let the mourners come.
Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling in the sky the message He is Dead,
Put crêpe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.
He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last forever, I was wrong.
The stars are not wanted now; put out every one,
Pack up the moon and dismantle the sun.
Pour away the ocean and sweep up the wood;
For nothing now can ever come to any good." --Funeral Blues
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
Uma pérola de Antonino Pagliaro
"Também palavras são uma espécie de conchas, às quais temos de encostar o ouvido com humilde atenção, se quisermos apreender a voz que dentro delas ressoa." (citado por Evanildo Bechara em sua Moderna Gramática Portuguesa).
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
Como Anne Elliot
Oscar Wilde disse certa vez que ser-nos ia mais fácil dizer a verdade estando com uma máscara. Decidida a experimentar uma existência como a de uma personagem de Jane Austen, sentia-se impelida a ser o que sempre desejara. Segura de suas convicções, sem deixar a ternura de lado e sem a constante preocupação sobre como as outras pessoas a viam. Vivemos em uma sociedade em que os sentimentos e intimidades são perscrutados incessantemente, fronteiras do bom senso esquecidas. Agora, mascarada, escolhera esquecer-se disso e ser alegre e igualmente admirada ou desprezada, sem deixar-se abater. Anne, de Persuasão, não tinha a beleza e a influência familiar das irmãs, mas (ou talvez exatamente por isso), sua personalidade se destacava pela força e pela sensibilidade. Invisível, tornara-se necessária pela doçura e afabilidade. Queria ser Anne e agora não se sentia à altura. O exercício de ser personagem cravara em seu corpo saudosas marcas de pureza e sinceridade infantis. Estava outra.
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