" Wilde: Desejara recriar vida de um modo que antes estava oculto; uma forma sonhada em dias de meditação. Acredito firmemente que poderia levá-los a perceber o engano por trás de uma opção interpretativa para as letras. Admito que a linguagem em meus textos impelia naturalmente a uma escolha...
Nietzsche: Mas, o que quer que fosse escolhido seria inadequado, dado exatamente a ambiguidade que você desejava ver instalada."
(fragmento de Café literário com Wilde e Nietzsche)
Com estes dois expoentes da literatura do século XIX aprendi a dar mais voz à letra.
sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
quinta-feira, 26 de dezembro de 2013
"CAFÉ LITERÁRIO COM WILDE E NIETZSCHE"
Caros amigos, a vocês que, com suas carinhosas visitas ao blog, me fortificam
na empreitada da escrita, tenho a alegria de apresentar meu livro
Café literário com Wilde e Nietzsche, publicado pela Scortecci Editora.
Caso queiram adquirir um exemplar ou presentear a um amigo, entre em contato comigo através do e-mail stella-f@ig.com.br. Tenho exemplares a preço de custo (R$15,00 com frete incluso).
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
A vida imita a arte
Em Palavras para um novo milênio (um dos discursos reunidos no livro Eu não vim fazer um discurso), Gabriel Garcia Márquez, indagando da utilidade prática e continuidade dos inúmeros encontros de intelectuais que se sucedem ano após ano, comenta da intrigante Clemência Isaura.
Fundadora dos Jogos Florais de Toulouse, mais antigo dos encontros poéticos, "instaurado há seiscentos e sessenta anos", foi uma "mulher inteligente, empreendedora e bela", que nunca existiu. Continua o Nobel de Literatura dizendo que "sua própria inexistência é uma prova a mais do poder criador da poesia, pois em Toulouse existe uma tumba de Clemência Isaura na igreja de Dourada e uma rua com seu nome e um monumento em sua memória.".
O que leva um grupo de trovadores a assumir uma personagem para a vida real? Seria esta musa imaginada a força que precisavam para que a escrita se perpetuasse? A simulação foi tão perfeita que os amantes da letra, certamente admiradores dos poetas, assumiram como verdadeira a existência de Clemência, elevando-a a patrimônio cultural a ser admirado e seguido.
Esta personagem de ficção trazida à vida é prova da irresistível vontade de continuidade histórica para a reunião destes homens e mulheres dedicados ao ofício misterioso e solitário da escrita
Fundadora dos Jogos Florais de Toulouse, mais antigo dos encontros poéticos, "instaurado há seiscentos e sessenta anos", foi uma "mulher inteligente, empreendedora e bela", que nunca existiu. Continua o Nobel de Literatura dizendo que "sua própria inexistência é uma prova a mais do poder criador da poesia, pois em Toulouse existe uma tumba de Clemência Isaura na igreja de Dourada e uma rua com seu nome e um monumento em sua memória.".
O que leva um grupo de trovadores a assumir uma personagem para a vida real? Seria esta musa imaginada a força que precisavam para que a escrita se perpetuasse? A simulação foi tão perfeita que os amantes da letra, certamente admiradores dos poetas, assumiram como verdadeira a existência de Clemência, elevando-a a patrimônio cultural a ser admirado e seguido.
Esta personagem de ficção trazida à vida é prova da irresistível vontade de continuidade histórica para a reunião destes homens e mulheres dedicados ao ofício misterioso e solitário da escrita
domingo, 8 de dezembro de 2013
Wilde e a beleza
“Beauty is a form of Genius — is higher, indeed, than Genius, as it needs no explanation. It is one of the great facts of the world, like sunlight, or springtime, or the reflection in the dark waters of that silver shell we call the moon. It cannot be questioned. It has divine right of sovereignty.”
O retrato de Dorian Gray
O retrato de Dorian Gray
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
A inutilidade do belo
Confesso ter-me chocado a primeira vez que li a frase de Oscar Wilde para o prefácio de O Retrato de Dorian Gray .Ora, como poderia uma obra de arte ser inútil?! Meu olhar ainda trazia o vício de categorizar, de enquadrar que tanto os decadentistas repudiavam.
O belo não precisa ter uma utilidade porque é essencial. A necessidade que temos de um dia ensolarado, de uma brisa refrescante, de um jardim florido não se poderia contabilizar. O útil era, para os artistas de final de século XIX, o que a indústria estipulava e manipulava como necessário.
Vivemos tempos em que há a tentação de esquecermos o essencial. É preciso observar a beleza das coisas sem tentar dar a elas um valor. São o que são; bonitas como são.
O belo não precisa ter uma utilidade porque é essencial. A necessidade que temos de um dia ensolarado, de uma brisa refrescante, de um jardim florido não se poderia contabilizar. O útil era, para os artistas de final de século XIX, o que a indústria estipulava e manipulava como necessário.
Vivemos tempos em que há a tentação de esquecermos o essencial. É preciso observar a beleza das coisas sem tentar dar a elas um valor. São o que são; bonitas como são.
domingo, 1 de dezembro de 2013
Mudança
Mudei
Joguei fora o que me diminuía
Abracei o que ilumina
Resisti à tristeza
Escolhi o encantamento
Mudei
Escrevo de mim
Assim conheço mais do outro
Mudei
Joguei fora o que me diminuía
Abracei o que ilumina
Resisti à tristeza
Escolhi o encantamento
Mudei
Escrevo de mim
Assim conheço mais do outro
Mudei
sábado, 30 de novembro de 2013
30 de novembro de 1900
Viveu muitas vidas
Experimentou inúmeras mortes
Personificou a letra
Imortalizou a ficção
Oscar Wilde deixou este mundo em 30 de novembro, no limiar de um novo século, preconizando as mudanças que viriam( mudanças estas que ele esperara ansiosamente). A todos os que puderam ler seus textos ofertou linhas de beleza e ironia singulares. Seus epigramas fazem-nos sorrir; seus contos fazem-nos chorar; suas peças arrancam divertidas gargalhadas. Atemporal, não deixa ninguém indiferente ao que escreveu. Suas linhas são, assim, reescritas no imaginário de cada leitor. E era exatamente este o seu desejo, acredito. Ser um e muitos.
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