"Tarde Vos amei,
ó Beleza tão antiga e tão nova,
tarde Vos amei!
Eis que habitáveis dentro de mim,
e eu, lá fora, a procurar-Vos!
Disforme, lançava-me sobre estas formosuras que criastes.
Estáveis comigo e eu não estava Convosco!
Retinha-me longe de Vós
aquilo que não existiria,
se não existisse em Vós.
Porém, chamastes-me,
com uma voz tão forte,
que rompestes a minha Surdez!
Brilhastes, cintilastes,
e logo afugentastes a minha cegueira!
Exalastes Perfume:
respirei-o, a plenos pulmões, suspirando por Vós.
Saboreei-Vos
e, agora, tenho fome e sede de Vós.
Tocastes-me
e ardi, no desejo da Vossa Paz."
sexta-feira, 3 de abril de 2015
Um conselho de Virginia Woolf
"Encarar a vida pela frente... Sempre... Encarar a vida pela frente, e
vê-la como ela é... Por fim, entendê-la e amá-la pelo que ela é... E
depois deixá-la seguir... Sempre os anos entre nós, sempre os anos...
Sempre o amor... Sempre a razão... Sempre o tempo... Sempre... As horas."
O mais difícil é aceitar o cotidiano, abraçar a rotina, tudo como é. Só assim, abraçando a existência como ela é a renovação pode se iniciar.
O mais difícil é aceitar o cotidiano, abraçar a rotina, tudo como é. Só assim, abraçando a existência como ela é a renovação pode se iniciar.
domingo, 29 de março de 2015
Manguel, historiando a leitura
Releio, por estes dias, o encantador Uma história da leitura, do argentino Alberto Manguel, e me depara com a seguinte e perturbadora afirmação:
"Todos lemos a nós e ao mundo à nossa volta para vislumbrar o que somos e onde estamos. Lemos para compreender, ou para começar a compreender. Não podemos deixar de ler. Ler, quase como respirar, é nossa função essencial."
O incentivo à leitura desde bem cedo, na infância, permitirá degraus da imaginação que para o adulto futuro fará diferença em sua visão de mundo, em sua complacência para com o outro.
"Todos lemos a nós e ao mundo à nossa volta para vislumbrar o que somos e onde estamos. Lemos para compreender, ou para começar a compreender. Não podemos deixar de ler. Ler, quase como respirar, é nossa função essencial."
O incentivo à leitura desde bem cedo, na infância, permitirá degraus da imaginação que para o adulto futuro fará diferença em sua visão de mundo, em sua complacência para com o outro.
sábado, 28 de março de 2015
Barthes e o nu em nós
"A linguagem é como uma pele: com ela eu entre em contato com os outros.".
Roland Barthes é sempre intuitivo, com um discurso rascante que inebria e nos faz compromisso perene com nós mesmos e com o outro.
Roland Barthes é sempre intuitivo, com um discurso rascante que inebria e nos faz compromisso perene com nós mesmos e com o outro.
sexta-feira, 6 de março de 2015
Wilde, sempre
Oscar Wilde foi um 'frasista' esplêndido e cada gota de sua arte se derrama sobre as letras formando ideias de uma singeleza e força inigualáveis. Disse, certa vez:
Todos estamos na sarjeta. Alguns, porém insistem em olhar para as estrelas.
Que possamos fazer-nos brilhar. O brilho de quem se sabe arte. Arte diária. Que os problemas, as dificuldades não nos fechem os olhos para o Belo. Insistamos nas estrelas.
Todos estamos na sarjeta. Alguns, porém insistem em olhar para as estrelas.
Que possamos fazer-nos brilhar. O brilho de quem se sabe arte. Arte diária. Que os problemas, as dificuldades não nos fechem os olhos para o Belo. Insistamos nas estrelas.
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015
O alfabeto para Galileu
Em seu Por que ler os clássicos?, Italo Calvino visita o texto Dialogo sopra i due massimi sistemi del mondo do brilhante Galileu que diz:
Mas sobre todas as invenções estupendas, que eminência de mente foi aquela de quem imaginou encontrar modo de comunicar seus próprios pensamentos mais recônditos a qualquer outra pessoa, mesmo que distante por enorme intervalo de lugar e de tempo? Falar com aqueles que estão na Índia, falar com aqueles que ainda não nasceram e só nascerão dentro de mil ou dez mil anos? E com que facilidade? Com as várias junções de vinte pequenos caracteres num pedaço de papel, Seja este o segredo de todas as admiráveis invenções humanas.
A palavra escrita tem a força da mudança e da perenidade; é doce e cortante; aquece, envolve.
Mas sobre todas as invenções estupendas, que eminência de mente foi aquela de quem imaginou encontrar modo de comunicar seus próprios pensamentos mais recônditos a qualquer outra pessoa, mesmo que distante por enorme intervalo de lugar e de tempo? Falar com aqueles que estão na Índia, falar com aqueles que ainda não nasceram e só nascerão dentro de mil ou dez mil anos? E com que facilidade? Com as várias junções de vinte pequenos caracteres num pedaço de papel, Seja este o segredo de todas as admiráveis invenções humanas.
A palavra escrita tem a força da mudança e da perenidade; é doce e cortante; aquece, envolve.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2015
Eu comigo mesmo
Quando Jorge Luis Borges percebeu que o processo de cegueira chegava a um ponto crítico, da prosa voltou-se para a poesia. Diziam o críticos que seria mais fácil para o genial escritor escrever um texto mais rápido. Penso diferente. Acredito que na iminência da perda da visão por completo, Borges quis o limite; quis expressar numa linha, numa quadra, toda a dor, toda a alegria, todo sonho do mundo. Não foi fácil... foi intenso; não foi rápido...foi eterno.
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