sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Por que não?

E se meus personagens favoritos se misturassem mesmo?
Borges declarou certa vez que temia que à noite as palavras dos livros se embaralhassem e ele não as recuperasse mais pela manhã.
Ouso ir um pouco além e imagino se os personagens pudessem pular de uma história para outra só para experimentar uma nova aventura. Eles teriam, assim, segredos que o autor desconheceria. À noite aproveitariam para se libertar das linhas e pela manhã se encaixariam novamente para delícia dos escritores.
Um encontro secreto de Mr. Darcy e Emma Bovary. Será que ela o seduziria e Elizabeth ficaria só? Talvez não. Mr. Thornton chegaria para consolá-la, encolerizando Margaret. Que tal Dom Quixote abandonando Dulcineia e mergulhando no País das Maravilhas?!
Ahh... Borges. Até que seria divertido!

terça-feira, 13 de setembro de 2016

A solidão da leitura

A leitura é um ato solitário e, como tal, precisa de tempo de nutrição. O velocidade das informações, a intensidade das redes sociais não incentivam os instantes de ócio criativo - aquele de que nos falavam os artistas de finais do século XIX - que dá espaço á imaginação, ao exercício sereno do pensamento. Sem tempo para uma crítica pautada na análise cuidadosa, caminhamos - ou melhor, corremos - e nos esquecemos cada vez mais de gestar ideias que perdurem, que sejam sólidas como os grandes ideais.
Solitária, leio, agora. Serão poucos minutos de 'vida'. Ouço ruídos, mas insisto em não me apressar. Há tempo. Pois se o tempo não existe, não é, Oscar Wilde?

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Um admirável poeta: Antonio Carlos Secchin

"Não, não era ainda a era da passagem
do nada ao nada, e do nada ao seu restante.
Viver era tanger o instante, era linguagem
de se inventar o visível, e era bastante.
Falar é tatear o nome do que se afasta.
Além da terra, há só o sonho de perdê-la.
Além do céu, o mesmo céu, que se alastra
num arquipélago de escuro e de estrela."


Antonio Carlos Secchin em 2005, escolheu cinquenta poemas´para compor uma coleção de poetas contemporâneos, promovida por Waldir Ribeiro do Val, nas Edições Galo Branco do Rio de Janeiro.
Tive a honra de ser aluna deste memorável autor que, com sua dedicação, buscava a essência da Arte presente em cada um e movia seus alunos ao exercício do texto , tecido vagarosamente, com aquele cuidado de maestria. Obrigada, Professor, Suas lições foram preciosas.

Emily Brontë

"...Meu maior cuidado na vida é ele. Se tudo desaparecesse e ele ficasse, eu continuaria a existir. E se tudo o mais ficasse e ele fosse aniquilado, eu ficaria só num mundo estranho, incapaz de ter parte dele. Meu amor por Linton. é como a folhagem da mata: o tempo há de mudá-lo como o inverno muda as árvores, isso eu sei muito bem. E o meu amor por Heathcliff é como as rochas eternas que ficam debaixo do chão; uma fonte de felicidade quase invisível, mas necessária. Nelly Eu sou Heathcliff. Sempre, sempre o tenho em meu pensamento. Não é como um prazer - por que eu também não sou um prazer para mim própria - , mas como meu próprio ser..."

Um dos trechos mis bonitos da literatura - em O Morro dos Ventos Uivantes -, escrito por uma brilhante mulher do século XIX.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Ainda Barthes e a fotografia

"Assim é a Foto: não pode dizer o que ela dá a ver."

A arte da Fotografia nos leva a reviver a cena: odores, sons e cores. Aquela risada ou a lágrima furtiva vêm à memória tão instantaneamente e tão intensamente quanto ou mais do que na primeira vez.

Roland Barthes e a câmara clara

"No fundo a Fotografia é subversiva, não quando aterroriza, perturba ou mesmo estigmatiza, mas quando é pensativa."


Dia 19 de agosto foi instituído dia da Fotografia. Esta arte sempre foi fascinante para mim. Uma maneira de congelar aquele instante querido para sempre. De quando em vez, faço uma visita aos álbuns colecionados ao longo dos anos e viajo no tempo. Aqueles parentes conhecidos que já partiram ou até os que nem chegamos a conhecer; aquela cidade pela qual transitamos fica, de novo, tão familiar. São aromas, ruídos e cores revividos com uma intensidade ainda maior. Esta é a magia que a fotografia evoca.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Love you tenderly

Não foi escritor, mas com a admiração por sua arte escreveu doces linhas de minha adolescência. Amanhã se completarão trinta e nove anos sem Elvis Presley.
Lembro-me bem do momento em que a notícia chegou, em edição extraordinária no Jornal da tv.  Sentada no chão, Eu terminava o bordado de uma toalha para apresentar na aula de Artes no dia seguinte. Deixei o trabalho no chão, fui até o quarto e chorei meus dias de inocente alegria. Foi a primeira pessoa que perdi. Sim, porque era tão meu. Embalada pelas canções traçava histórias em minha imaginação de criança e me apaixonei por um tempo que não vivi. Minha geração já curtia os Stones e eu parara no tempo. Acho que vem daí meu constante exercício de ultrapassagem do tempo na escrita.
Saudades do que Elvis representou por anos.

Qual sua personagem favorita? II

O Rouxinol... O Rouxinol e a Rosa é um adorável conto infantil do querido Oscar Wilde. O pássaro tão cantado pelos poetas personifica um ve...